P. Ferreira-Naval, 0-0 (crónica)


Desacerto e sofrimento ditam desfecho cinzento a jogo entretido

 Pontos. Por muitas dissertações que se façam sobre a beleza do jogo, a qualidade dos ataques ou a classe das equipas, é na disputa pelos pontos que se baseia todo o pressuposto de um campeonato de futebol. Não deixa de ser curioso que, num desporto tão imprevisível, seja uma certeza matemática a ditar leis. Assim, na Mata Real, mais do que um bom espectáculo, assistiu-se a uma luta pelo pão de futebol. Acabou sem golos.

O momento de forma do Paços de Ferreira já foi referido, debatido e oficializado em momentos passados, tal a forma como foi explanado e passeado pelo país. Da Naval também se sabia que estava no auge da temporada. Com Mozer chegaram os pontos. Com eles, a confiança necessária para abraçar uma missão que parecia impossível. Ainda não é e esse mérito tem de ser dado ao treinador.

Salín foi um líbero (destaques)

Até porque a equipa figueirense entrou melhor no encontro da Mata Real. Aproveitando a falta de rotinas de Nuno Santos como defesa esquerdo (Maykon estava castigado), Marinho explorou o flanco e foi de lá que, logo aos sete minutos, conseguiu o lance mais perigoso do primeiro tempo. Toda a gente, Cássio incluído, esperava um cruzamento, a bola levou a direcção da baliza e só a trave evitou o golo. O mesmo Marinho viria a aquecer as mão de Cássio, numa bola colocada nas costas de Nuno Santos. Parecia haver mais Naval.

Mas se o esquerdino do Paços teve muito que fazer na defesa, ainda aproveitou uma esporádica subida ao ataque para «expulsar» Carlitos, num lance em que já ia entrar na área. A partir daí, a toada do jogo mudou. Mozer reequilibrou a equipa com Rogério e João Pedro, abdicando de Fábio Júnior e Marinho. A Naval teria de encarar todo o segundo tempo com um jogador a menos.

Sem Carlitos, mostrou-se...a equipa

Mas a equipa da Figueira da Foz já mostrou que o sofrimento não é problema. Foi por entre as ruínas de um grupo que parecia destruído que uma equipa se formou. Segurar um ponto, primeiro. Tentar o «jackpot» no contra-ataque, depois. Passou a ser assim o futebol navalista.

O Paços de Ferreira, que tentava manter a distância para o Sporting em apenas um ponto, tomou, naturalmente conta do jogo. O segundo tempo foi um festival de jogo ofensivo dos «castores», ávidos pelo sétimo triunfo consecutivo.

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Faltou marcar. Pizzi dispôs da mais soberana ocasião de golo, quando, ao minuto 52, permitiu que Salin evitasse que a melhor jogada do Paços em todo o jogo terminasse no fundo da baliza. Mas Rondon também teve uma noite para esquecer. Apesar de bem servido, a pontaria nunca foi a melhor. A entrada de Caetano alargou o jogo ofensivo do Paços, numa altura em que a Naval oficializava a procura pelo empate. O jovem português entusiasmou as bancadas e a equipa, mas a sua luta foi inglória, já que o resultado nunca se modificou.

Ainda assim, o Paços de Ferreira isolou-se no quarto lugar, com mais um ponto que o V. Guimarães e a três do Sporting. Este empate não mancha rigorosamente nada, porque a equipa ainda tem tanto crédito...Já a Naval continua a somar pontos atrás de pontos e a acreditar que o sonho é possível.

Fonte: Mais Futebol 

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