Naval-Benfica, 2-1 (crónica)

Quebrou-se o enguiço em casa, e logo com o único grande cuja vitória nos fugia :)

Está em qualquer manual de sobrevivência fiável. A solidão e o aborrecimento apenas existem na ausência de um pensamento lógico. Desprendido da ambição do título, sem saber muito bem o que fazer do que resta na Liga, a equipa de Jesus é um emaranhado de reacções individuais descoordenadas. Uma decepção da cabeça aos pés.

Perdido o campeonato com o estrondo que se sabe, o Benfica dá ares de um turista numa cidade desconhecida. De mapa na mão e o olhar desorientado, a pedir informações a quem passa. A derrota justíssima na Figueira da Foz tem uma atenuante, naturalmente, mas leve. Foram 11 jogadores novos, pouco entrosados e, lá está, desinteressados e desorientados.

Ao Benfica, já se percebeu, faltou quase tudo. Um rumo certo a seguir, uma tarefa motivante a cumprir e, já agora, qualidade para que esses pressupostos inexistentes tivessem um fundo de realismo.

Excepção feita ao período entre o golo da Naval e o intervalo - pouco mais de 20 minutos - o campeão nacional 2009/10 foi um espectro perturbador da equipa que chegou a encantar entre Janeiro e Março.

A entrada do Benfica na partida foi um desastre. De ombros encolhidos, expressão de frete e as pernas pesadas, o conjunto encarnado entregou a responsabilidade do duelo à equipa da Naval e deu-se mal. Perante tamanha parcimónia, os homens de Carlos Mozer encarnaram a cartilha do técnico e foram uns valentes, uns durões com tiques refinados.

O primeiro golo lá surgiu aos 22 minutos, pela cabeça do renascido Bruno Moraes, que já há uns anos fizeram de desmancha-prazeres da águia num célebre F.C. Porto-Benfica. Só aí, insista-se, o Benfica teve um assomo de dignidade e pretendeu sacudir o entorpecimento causado por todas as razões supracitadas.

Já depois de Júlio César fazer uma defesa do outro mundo a pontapé de Godemèche, Carlos Martins atirou de cabeça ao poste e Alan Kardec fez o empate logo depois. O Benfica acabou com o tempo de descanso e só voltaria a acordar lá para o último quarto-de-hora.

Jorge Jesus não terá esta opinião. De qualquer forma, em nosso entender, o Benfica ainda terá muito a ganhar ou a perder no campeonato. Quanto mais não seja, uma rede de motivação para as outras competições. Derrotas como esta consentida na Figueira da Foz só podem ter uma consequência: abanar fortemente com o ambiente sadio e de confiança.

Então, como dar a volta a este contexto ingrato na Liga? Com imaginação. Coisa que o Benfica jamais teve na sétima derrota consentida. Mudar todas as peças e esperar um milagre não é solução. Aqueles que raramente foram opção, nunca o virão a ser nesta fase final. Raras vezes, muito raras, a história se desviou destas leis.

Resta referir que a Naval teve muito mérito na edificação de mais três pontos. Mozer tem dois bons médios (Manuel Curto e Godemèche), dois homens capazes de espalhar o pânico (Edivaldo e Simplício), uma defesa muito certinha e um agitador chamado Marinho. Foi ele o autor do golo decisivo aos 83 minutos.

Duas perguntas para fechar: como é que um profissional falha o golo que Luís Filipe falhou no último suspiro? E alguém explica a contratação de José Luís Fernandéz (uma vez mais não utilizado)?


Fonte: Mais Futebol


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