Aprígio Santos: “Esta cidade e esta Câmara desligaram-se totalmente das suas responsabilidades”

 A Naval 1.º de Maio celebrou no passado dia 30 de abril o seu 119.º aniversário. A tradicional ceia navalista juntou dirigentes, atletas, sócios e simpatizantes do clube fundado a 1 de maio de 1893, sucedendo à extinta Associação Naval Figueirense.

Ao nosso Jornal Aprígio Santos fez um ligeiro balanço do passado recente do clube. O futuro, defendeu o responsável, deve ser discutido pela sociedade figueirense.
“A Naval não está bem e esta é a prova de que o dinheiro não faz tudo. Eu próprio tenho culpas porque não tenho tempo para a equipa (de futebol profissional), o meu trabalho nas empresas exige muito de mim. Fizemos uma péssima época”, disse Aprígio Santos adiantando que “no fim do campeonato irei falar sobre a Naval e o que vai ser de futuro”.
Ciente de que a Naval é mais do que futebol, o dirigente desportivo sublinhou que “no global algo tem de mudar ou a Naval mudar-se. Os tempos de crise são o que são, mas também não vejo a cidade a ajudar a sustentar aquilo que tem. E estas coisas tornam-se difíceis para um homem só”. No entanto, reconhece que “faz todo o sentido falar da Naval sem mim porque a Naval não começa e termina em mim. Até porque quando não tenho tempo, diga-se o que se disser, a Naval treme. Quando não estou as coisas não são bem iguais, tem de haver alguém comigo que tome essa responsabilidade e eu, sinceramente, não vejo o futebol da mesma forma que via há 10 ou 5 anos atrás. A minha paixão mudou, está noutros sítios e o futebol penso que tem de ser repensado”.
Nesta linha, considerou a O Figueirense que “a Naval tem de se discutida porque hoje a SAD sou praticamente eu. Mas a associação não deixa de prestar um serviço à cidade que se não repensar este problema, vai ter um outro para resolver, porque eu não vou continuar desta maneira. Isto é ponto assente”.
Recusando-se a comentar o recente anúncio de construção de um campo de futebol (para treinos) de piso sintético, Aprígio Santos não poupou críticas e afirmou que “esta cidade e esta Câmara, que não é melhor do que as outras, desligaram-se totalmente das suas responsabilidades quanto ao desporto, que faz parte da cidadania. Acho que este assunto tem de ser repensado e falado. E não falo só de futebol, porque o desporto é muito mais”.

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